Crise só acaba se governo mudar política de preço dos combustíveis, diz Zarattini

O deputado Carlos Lula Zarattini (PT-SP), em contundente discurso no plenário da Câmara, responsabilizou o governo ilegítimo de Michel Temer – na pessoa do presidente da Petrobras, o tucano Pedro Parente – pela atual crise gerada a partir da alta recorrente do valor dos combustíveis, que é fruto de uma política de variação de preços subordinada […]

23 maio 2018, 17:55 Tempo de leitura: 3 minutos, 27 segundos
Crise só acaba se governo mudar política de preço dos combustíveis, diz Zarattini
Foto: Lula Marques

O deputado Carlos Lula Zarattini (PT-SP), em contundente discurso no plenário da Câmara, responsabilizou o governo ilegítimo de Michel Temer – na pessoa do presidente da Petrobras, o tucano Pedro Parente – pela atual crise gerada a partir da alta recorrente do valor dos combustíveis, que é fruto de uma política de variação de preços subordinada aos interesses do mercado internacional. Tal crise é evidenciada neste momento pela paralisação dos caminhoneiros em mais de 20 estados, com consequente desabastecimento de alguns itens essenciais à população.

O deputado criticou o governo por buscar medidas paliativas para tentar resolver um problema que é conjuntural. “Essa crise não será resolvida facilmente, a não ser que se mude o critério de reajuste de preços do combustível. Nada garante que o preço dos combustíveis não continue subindo. E se continuar subindo? Tudo bem, tiramos a Cide [contribuição cobrada sobre o litro da gasolina e do diesel], que vale 2 centavos. Não resolve, porque qualquer pequeno aumento vai repor esses 2 centavos”, argumentou.

Zarattini defendeu que a solução passa irremediavelmente pela mudança da política de preços da Petrobras. “Parar o conflito é uma atitude de responsabilidade. Não me importa o mercado nesta situação, o que me importa é o povo brasileiro, as condições de distribuição das cargas, as condições do custo de vida. Na medida em que esses preços forem repassados para o frete, quem vai pagar é o povo brasileiro, com o aumento de preço. E para quê? Para agradar ao mercado, para agradar alguns milhares de especuladores”, disse.

O parlamentar fez ainda um alerta acerca do grave erro estratégico do atual governo na condução da política energética, que tem relação direta com a forma de Temer e Parente tratarem a Petrobras. Um dos grandes erros, segundo o deputado, foi passar a considerar a estatal como uma empresa qualquer, e o petróleo e os seus derivados como meras commodities, sem entender o papel estratégico de cada um deles. A origem de toda a atual crise estaria neste fato.

“Ora, não vamos tratar as coisas de forma equivocada. Não vamos tratar as coisas levianamente para atender o chamado mercado, especialmente os acionistas da Petrobras na bolsa de Nova York. Vamos pensar no Brasil. Vamos pensar no povo brasileiro. Vamos pensar em soluções que reponham a paz e a organização do País. E o governo não pensa nisso. Está estimulando o conflito. E esse conflito não é bom para o Brasil”, argumentou.

Diante dessa desordem, Zarattini defendeu o afastamento imediato de Pedro Parente da Presidência da Petrobras. “Fico estupefato de ver Michel Temer amedrontado com uma possível demissão do Pedro Parente. Vai embora, Pedro Parente! Some daqui, porque você está afundando a Petrobras e provocando a crise no País”, apontou.

Empresa estratégica – Carlos Zarattini lembrou que foi justamente após a saída da presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, que a filosofia acerca do trabalho da Petrobras mudou, e a empresa passou a ser vista sob outra ótica. Ou seja, passou a ser encarada não mais como uma estatal estratégica para garantir a segurança energética do País, para explorar um recurso natural que é dos brasileiros, como diz a própria Constituição.

E o que se vê hoje no País – detalhou Zarattini – é o reflexo dessa política que não considera a Petrobras como fundamental ao desenvolvimento brasileiro, mas considera o petróleo, fundamental na matriz energética, como simples matéria-prima.

“Em nenhum lugar do mundo isso é tratado como commodity. Commodity é o trigo, o milho, o minério de ferro, coisas substituíveis. O petróleo não é substituível em grande escala. Pode ser, em pequena escala, pelo álcool. Pode ser, por outro tipo de combustível, mas não é substituível em larga escala pelo volume de consumo, não só no Brasil, como também no resto do mundo”, ressaltou o parlamentar.

PT na Câmara