Atlas da Violência 2020: Assassinato de negros cresce 11,5%

Queda da taxa de homicídio entre os não negros de quase 13% demonstra a realidade do racismo estrutural no Brasil, “Infelizmente, os dados do Atlas apenas reforçam o que nós já sabemos, a população negra continua sofrendo os efeitos da escravidão até os dias de hoje”, diz secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, […]

28 ago 2020, 19:08 Tempo de leitura: 4 minutos, 7 segundos
Atlas da Violência 2020: Assassinato de negros cresce 11,5%

Queda da taxa de homicídio entre os não negros de quase 13% demonstra a realidade do racismo estrutural no Brasil, “Infelizmente, os dados do Atlas apenas reforçam o que nós já sabemos, a população negra continua sofrendo os efeitos da escravidão até os dias de hoje”, diz secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Martvs das Chagas

Os casos de homicídio de pessoas negras (pretas e pardas) no Brasil cresceram 11,5%  em dez anos. É o que aponta o Atlas da Violência 2020, divulgado na quinta-feira (27), em São Paulo, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

No caminho inverso, no mesmo período de 2008 e 2018, a taxa entre não negros (brancos, amarelos e indígenas) apresentou uma queda de 12,9%.

Segundo o Atlas da Violência 2020, baseado em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, para cada pessoa não negra assassinada em 2018, 2,7 negros foram mortos, o que representa 75,7% das vítimas. Enquanto a taxa de homicídio a cada 100 mil habitantes foi de 13,9 casos entre os não negros, já entre os negros ela chegou a 37,8%.

A diretora executiva do FBSP, Samira Samira, fala sobre a disparidade entre a prevenção da morte de não negros em contraponto com a de negros.

“O que me chama mais a atenção é perceber que essa política que tem sido implementada, seja ECA, Estatuto do Desarmamento, ou nos territórios, por prefeitos e governadores, tem sido capazes de prevenir a morte de pessoas não negras, mas, quando a gente olha para a taxa na população negra, no mesmo período, parece que estamos falando de países diferentes, tamanha a disparidade”, diz ela.

O secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Martvs das Chagas, ressaltou a necessidade da construção de programas e ações nas eleições de 2020 para a implementação de políticas de promoção da igualdade racial.

“Infelizmente, os dados do Atlas apenas reforçam o que nós já sabemos, a população negra continua sofrendo os efeitos da escravidão até os dias de hoje. Por isso, a importância dos partidos políticos em construir programas e ações nas eleições municipais desse ano para a implementação de políticas públicas de promoção da igualdade racial, para além da destinação de recursos para as candidaturas negras”, enfatiza Martvs.

Vulnerabilidade racial, de gênero e de classe

Um outro dado apurado pelo Atlas e que comprova a existência do racismo estrutural é referente ao homicídio de mulheres. Enquanto entre as mulheres não negras foi constatada uma redução de 11,7%, já entre as negras a taxa subiu para 12,4%.

No período pesquisado, os estados que tiveram as mais altas taxas de homicídios entre a população negra estão localizados nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para Roraima (87,5 mortos para cada 100 mil habitantes), Rio Grande do Norte (71,6), Ceará (69,5), Sergipe (59,4) e Amapá (58,3).

A disparidade racial entre as mulheres assassinadas é a soma de vulnerabilidades ainda mais evidentes do que quando se trata de homens, aponta a pesquisadora Amanda Pimentel.

“No caso dos homens, são muito mais relacionadas à falta de acesso que os homens têm a serviços e políticas públicas. Mas entre as mulheres negras há uma tripla vulnerabilização: racial, de gênero e de classe”, afirma.

Violência policial e racismo

Segundo o pesquisador Dennis Pacheco, a violência policial é um dos fatores para a disparidade entre os mortos negros ou não. “A ideia do negro perigoso é uma ideia que muitas vezes existe em várias polícias no Brasil. O uso da força diferenciada entre negros e não negros ainda existe muito”, ressalta.

Ele destaca que não há como separar, nos dados do governo, os assassinatos cometidos por policiais e os por outros criminosos. No entanto, ele aponta que o índice de negros mortos é semelhante nos dois casos.

“A gente sabe que existe uma convergência entre os mortos pela polícia e os outros, em geral. Os negros estão entre 70% em ambos. Tem uma relação forte de como a política pública de segurança é ineficaz, ineficiente. Quando há investimento em soluções ostensivas e não preventivas, é esse é o resultado que temos em um país racista”, comenta Dennis.

Da Redação

Acesse aqui a íntegra do Atlas da Violência 2020

https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/24/atlas-da-violencia-2020

📲 Fale com o Zarattini no WhatsApp: 11 99515-1370 🗣 www.dev.zarattinipt.com.br/whatszara

Matéria publicada originalmente no site Partido dos Trabalhadores e replicada neste canal.