As “rachadinhas” em nome do pai, dos filhos e da familícia Bolsonaro

O esquema de corrupção conhecido como “rachadinha” ganha novos contornos e atinge em cheio o presidente Jair Bolsonaro. É o que revela matéria jornalística do UOL, veiculada no fim de semana. Segundo a reportagem, a “rachadinha” praticada pelo então deputado estadual no Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, que atualmente é senador pelo partido Republicanos-RJ, também […]

15 mar 2021, 11:20 Tempo de leitura: 5 minutos, 24 segundos
As “rachadinhas” em nome do pai, dos filhos e da familícia Bolsonaro

O esquema de corrupção conhecido como “rachadinha” ganha novos contornos e atinge em cheio o presidente Jair Bolsonaro. É o que revela matéria jornalística do UOL, veiculada no fim de semana. Segundo a reportagem, a “rachadinha” praticada pelo então deputado estadual no Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, que atualmente é senador pelo partido Republicanos-RJ, também ocorria no gabinete do pai, o presidente Jair Bolsonaro, quando este exercia o mandato de deputado federal, e também do irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Os dados da quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas e empresas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro obtidos pelo UOL apontam ainda a existência de transações financeiras suspeitas realizadas pela segunda mulher do presidente, Ana Cristina Siqueira Valle. A reportagem teve acesso a 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas.

“A denúncia do Ministério Público revela uma organização criminosa operada por Fabrício Queiroz, que drenava o salário dessa gente toda para as contas de Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro”, afirmou o líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, deputado Elvino Bohn Gass (PT-RS)

Chefe do esquema

O líder petista alertou ainda para dois fatos que podem contribuir com as fartas informações divulgadas pelo UOL. “Disso tudo, penso que duas coisas não podem passar desapercebidas: primeiro, quem levou o Queiroz para dentro da família foi seu amigo de longa dada, Jair Bolsonaro, o que sugere que ele era o poderoso chefão; e, segundo, que os salários dos fantasmas eram pagos com dinheiro público, caracterizando o crime de peculato, ou, numa linguagem de mais fácil entendimento: corrupção”, acrescentou Bohn Gass”.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também tem o entendimento que Bolsonaro é o “chefe do esquema”. Segundo o parlamentar, todo mundo sempre soube que o chefe do esquema é o pai, não os filhos.
“A questão dos salários é só uma parte da engrenagem. O chefe do Queiroz, o chefe de todos os esquemas sempre foi o pai, que é quem definia o papel dos filhos e botava nos gabinetes dos filhos as pessoas conforme a necessidade da organização. Acho que esse dados revelados só reforçam essa tese. E demonstram que o chefe da organização é o pai”, sentenciou Pimenta.

Para reforçar seu entendimento, Pimenta afirmou que os filhos de Bolsonaro não têm perfil para “ser chefe de nada”. Segundo o parlamentar, Bolsonaro utilizava o gabinete dos filhos e seus mandatos para cometer inúmeros crimes. “Não foi só esse crime. Temos ainda a relação dele com as milícias, com outros esquemas do Queiroz, as relações com a família do capitão Adriano. Tudo isso, só fica reforçado com a divulgação dessas informações”, disse Paulo Pimenta.

Organização criminosa

A armação corruptiva promovida pelo primogênito do clã Bolsonaro envolvia 12 funcionários fantasmas entre 2007 e 2018, período em que ele, Flávio Bolsonaro, exerceu o mandato de deputado estadual. Flávio foi denunciado em novembro de 2020 pela Promotoria fluminense sob a acusação dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O líder Bohn Gass lembrou que a denúncia do Ministério Público revela a existência de uma organização criminosa operada por Fabrício Queiroz. Segundo Bohn Gass, essa organização “drenava o salário dessa gente toda para as contas de Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro”.

“Do que já foi descoberto até agora, a ‘rachadinha’ não era uma prática apenas do Flávio, mas de toda a família Bolsonaro, inclusive do irmão Carlos e do pai Jair, hoje presidente da República. As investigações chegaram a um número simbólico de parentes empregados por eles: 17. Inclui ex-mulher, ex-sogro, ex-sogra, ex-cunhada, sete primos da ex-mulher e até a madrasta de um dos primos. É escandaloso”, reagiu o líder da Bancada do PT.

Investigação

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) defende investigação rigorosa de mais essa denúncia envolvendo o presidente da República e sua família. “Mais um esquema de corrupção envolvendo o presidente. Agora, há fortes indícios que a prática de rachadinha era um esquema praticado por toda a família. É preciso que isso seja investigado de forma célere”, defendeu.
“Bolsonaro que sempre se colocou como paladino da moral e da ética está vendo seu discurso cair por terra com o avanço das investigações”, avaliou o líder da Minoria no Congresso.

Drenagem do dinheiro público

Segundo reportagem da UOL, o então deputado federal Jair Bolsonaro empregou em seu gabinete por oito anos Andrea Siqueira Valle, a irmã de sua segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle. Um ano e dois meses depois que a irmã deixou de trabalhar para Jair, Ana Cristina ficou com todo o dinheiro acumulado da conta em que Andrea aparecia como titular e recebia o salário: saldo de R$ 54 mil —quantia equivalente a R$ 110 mil, em valores de hoje.

Ainda de acordo com a matéria, Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, costumava fazer pagamentos de despesas locatárias de uma quitinete no centro do Rio, onde morava Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo do senador. O dinheiro provinha da conta da então chefe de gabinete e as transferências ocorreram ao longo do ano 2007.

Quatro funcionários que trabalharam para Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil em espécie.

Ao menos quatro funcionários do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) sacaram 87% de seus salários. Juntos, eles retiraram um total de R$ 570 mil, também em dinheiro vivo. O Ministério Público do Rio de Janeiro apura se o vereador contratou “funcionários fantasmas” e foi beneficiado por um esquema de “rachadinha”.

Benildes Rodrigues com informações da UOL

Matéra publicada no site PT na Câmara e replicada neste canal.
Foto: Agência Câmara



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