Bolsonaro e Guedes conduzem o Brasil para um “abismo de renda”

Desigualdade dispara em meio a um quadro de queda da renda do trabalho, desemprego, inflação em alta e sabotagem à vacinação A catastrófica condução da economia pelo ministro-banqueiro Paulo Guedes, e a sabotagem sistemática de Jair Bolsonaro ao combate à crise sanitária, estão levando o Brasil a um “abismo de renda”. O cenário foi desenhado por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio […]

23 mar 2021, 16:58 Tempo de leitura: 4 minutos, 47 segundos
Bolsonaro e Guedes conduzem o Brasil para um “abismo de renda”

Desigualdade dispara em meio a um quadro de queda da renda do trabalho, desemprego, inflação em alta e sabotagem à vacinação

A catastrófica condução da economia pelo ministro-banqueiro Paulo Guedes, e a sabotagem sistemática de Jair Bolsonaro ao combate à crise sanitária, estão levando o Brasil a um “abismo de renda”. O cenário foi desenhado por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/ FGV), a partir de uma série de indicadores que, somados, compõem o quadro de dissolução vivido no país.

Os especialistas da instituição analisaram a atual combinação de fragilidade da renda do trabalhoinflação alta, juros que começam a subir e o pífio auxílio emergencial oferecido pelo desgoverno Bolsonaro, potencializados pelo lento avanço da vacinação. A soma desses fatores, concluíram, leva o país ao quadro de “abismo de renda” e de “choque patrimonial” no orçamento das famílias.

“As pessoas nunca estiveram tão endividadas e nunca comprometeram tanto da sua renda. Um eventual ciclo de consumo futuro concorre com as famílias numa situação de corda no pescoço”, resumiu o pesquisador do Ibre/FGV Lívio Ribeiro para o jornal ‘Valor Econômico’.

No fim de 2020, o índice de endividamento das famílias já era de 56,4% em relação à renda dos últimos 12 meses. É o maior percentual já registrado. Neste primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) deve recuar 0,5% em comparação com os três últimos meses de 2020, e mais 0,5% no segundo trimestre.

No meio do ano, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá bater em 8% no acumulado em 12 meses, muito acima da meta de 2021 (3,75%). Já a massa real ampliada de rendimentos dos trabalhadores deve cair 7% em 2021, após subir 3,4% no ano passado com a ajuda das transferências de recursos públicos. Sem elas, o indicador teria retraído 5,7%, calcula o Ibre/FGV.

A estimativa da instituição é de que a taxa de desemprego termine 2021 em 15,6%, acima dos 13,5% em média do ano passado. E enquanto houver a necessidade de adoção de medidas de restrição social, o mercado de trabalho continuará fraco para os informais. Se a redução do emprego formal em 2020 foi de -4,2%, a queda no emprego informal foi três vezes maior: -12,6%.

“É difícil traçar cenários em meio a uma crise sanitária como essa. Do jeito como a pandemia está vindo, vai ser difícil conter a necessidade de mais gastos”, afirmou Luiz Guilherme Schymura, presidente do Ibre/FGV.

Derrocada econômica e retorno da miséria

Os índices de confiança quantificados pela FGV mostram que a derrocada econômica já está no radar de empresários e consumidores. A prévia das sondagens, com dados coletados até 10 de março, aponta quedas de 5 pontos do Índice de Confiança Empresarial (ICE) e de 7,8 pontos do Índice de Confiança do Consumidor (ICC). Se confirmadas, as retrações serão as mais intensas desde abril de 2020.

“Há muita incerteza sobre a duração e a intensidade da segunda onda da covid e as cicatrizes que ficarão nas empresas e famílias. Esse primeiro semestre é muito desafiador”, concluiu Silvia Matos, coordenadora do ‘ Boletim Macro’ da instituição.

O correspondente no Brasil do jornal francês ‘ Le Monde’, Bruno Meyerfeld, publicou reportagem na edição desta segunda (22) que retrata a volta da miséria e da fome ao Sertão nordestino. O repórter visitou o interior de Pernambuco e ouviu os moradores, que lamentaram os cortes das ajudas sociais pelo desgoverno Bolsonaro.

Na região, onde vivem 25 milhões de pessoas, os retrocessos bolsonaristas transformaram o cenário em relação aos anos em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff governaram o país. Os programas sociais dos governos petistas, como o Bolsa FamíliaMinha Casa Minha VidaFome Zero, Água para Todos e Luz Para Todos, entre outros, haviam feito a pobreza cair pela metade, segundo o ‘Le Monde’.

No entanto, com a crise econômica fomentada para derrubar Dilma Rousseff, a região recomeçou a ser castigada. Quando o usurpador Michel Temer assumiu, os investimentos na região caíram vertiginosamente. “Mas a eleição de Bolsonaro foi pior do que tudo: o governo esqueceu totalmente essa região”, explicou Cicero Felix dos Santos, coordenador do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa).

A matéria diz que as razões deste retrocesso são múltiplas, começando pela linha ultraliberal e hostil aos programas sociais de Guedes. Além disso, Bolsonaro prefere se aliar às ricas famílias do agronegócio do Nordeste, contra os pequenos agricultores. A reportagem cogita também uma última possibilidade: “punir uma região que vota tradicionalmente entre 80% e 90% para a esquerda brasileira”.

Para muitos habitantes locais, como Maria Ribeiro, ouvida pelo jornalista, “Bolsonaro quer a morte dos nordestinos”. Outros, como Miguel, se dizem extremamente decepcionados com os políticos. “Nunca mais votarei. Salvo se Lula for candidato”, promete.

Da Redação.

Matéria publicada originalmente no site Partido dos Trabalhadores e replicada neste canal.



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