Lula: “Nossa política de inclusão foi muito mais que o Bolsa Família”

Questionado sobre o programa Auxílio Brasil, criado por Bolsonaro, Lula explicou que o combate à pobreza nos governos do PT foi feito com uma série de ações integradas. Em entrevista à Rádio Aparecida, de São Paulo, nessa quarta-feira (11), o presidente Lula explicou a diferença entre uma política ampla de combate à pobreza, como a […]

12 ago 2021, 16:23 Tempo de leitura: 3 minutos, 34 segundos
Lula: “Nossa política de inclusão foi muito mais que o Bolsa Família”
Ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Questionado sobre o programa Auxílio Brasil, criado por Bolsonaro, Lula explicou que o combate à pobreza nos governos do PT foi feito com uma série de ações integradas.

Em entrevista à Rádio Aparecida, de São Paulo, nessa quarta-feira (11), o presidente Lula explicou a diferença entre uma política ampla de combate à pobreza, como a implementada nos governos dele e de Dilma Rousseff, e uma proposta com fins eleitorais como o Auxílio Brasil, criado por Jair Bolsonaro para desmontar a política do Bolsa Família.

“As pessoas pensam que o sucesso da nossa política de inclusão foi apenas o benefício do Bolsa Família. Não foi. Foi o Bolsa Família; o aumento sistemático e anual do salário mínimo, que aumentamos 74%; foi a criação de política para ajudar o pequeno e médio agricultor, que é responsável pela produção de 60% a 70% do alimento que chega à nossa mesa; foi a combinação do auxílio com a necessidade de as crianças estarem na escola, tomarem vacina e de as mulheres grávidas fazerem o pré-natal”, elencou (assista à íntegra abaixo).

Lula disse que, evidentemente, não se opõe a programas de transferência de renda. “Aumentar o auxílio é muito importante. Nós temos defendido, já faz mais de oito meses, um auxílio emergencial de R$ 600 até acabar a pandemia. Todos os países fizeram assim. A Alemanha, os Estados Unidos, a França, a Itália, todo mundo cuidou do povo pobre, do povo vitimado pela falta de emprego”, lembrou. “Agora, o Bolsonaro tentar fazer um programa pensando apenas nas eleições é pobre. Mas, de qualquer forma, quanto mais dinheiro no bolso do povo pobre, melhor. Porque não podemos ver mais na televisão mulher na fila de um açougue, esperando a doação de um osso para ela fazer uma sopa.”

Lula ressaltou que o Bolsa Família era um conjunto de políticas criado para superar a exclusão social histórica do Brasil. “O Brasil sempre foi preparado para governar para 35% da população. O restante era marginalizado, eram pessoas que não tinham trabalho, que comiam mal, que moravam mal. Nós fizemos, de 2003 até a Dilma sofrer o golpe, a maior política de inclusão social da história. Criamos um programa que não tinha objetivo eleitoral, mas de dar às pessoas mais pobres do Brasil o direito de conquistar a sua cidadania, o direito de ser respeitado como gente”, afirmou.

Desgoverno

Essa preocupação, prosseguiu, não existe no governo Bolsonaro. “Hoje, temos praticamente 15 milhões de desempregados, 34 milhões de pessoas já desanimadas, que não procuram mais emprego, outros milhões que vivem de bico. E um presidente que não utiliza as palavras desenvolvimento, crescimento econômico, transferência de renda. O Brasil está sem projeto de política de desenvolvimento econômico. Estamos dependendo do clima para que o agronegócio continue produzindo e vendendo. Precisamos, além de um agronegócio forte, de uma indústria forte para sermos mais competitivos internacionalmente”, analisou.

Para alcançar competitividade, um país precisa de um governo comprometido com um porjeto de desenvolvimento, disse Lula. “Mas o Paulo Guedes, tudo que ele quer é privatizar as empresas públicas que nós temos, que deveriam ser utilizadas como indutoras do desenvolvimento econômico. Mas ele quer vender essas empresas para empresários estrangeiros que não virão aqui para gerar empregos.”

O resultado dessa política é um país desconsolado. “A humanidade é movida a emoção, a paixão, que é tudo que não temos no governo brasileiro. Você veja a papagaiada que presidente fez ontem. Juntou alguns militares para fazer aquele desfile patético. Não sei o que ele queria demonstrar, porque ficaria mais barato se um cidadão pegasse um fusquinha e fosse lá entregar o convite para o presidente. Não precisava fazer um desfile de tanque com motor desregulado. A quantidade de fumaceira que tinha no motor do canhão poluiu Brasília por um mês”, criticou.

Matéria publicada originalmente no site Partido dos Trabalhadores e replicada neste canal.