Guedes destrói mercado de trabalho; mais 5 milhões na informalidade

Cinco milhões de pessoas ingressaram no grupo dos trabalhadores informais em um ano. País ainda tem outros 14,4 milhões de trabalhadores em busca de emprego Os ataques à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) promovidos pelos governos do golpe de 2016 resultaram na deterioração do mercado de trabalho pelo Brasil. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra […]

31 ago 2021, 17:55 Tempo de leitura: 3 minutos, 38 segundos
Guedes destrói mercado de trabalho; mais 5 milhões na informalidade

Cinco milhões de pessoas ingressaram no grupo dos trabalhadores informais em um ano. País ainda tem outros 14,4 milhões de trabalhadores em busca de emprego

Os ataques à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) promovidos pelos governos do golpe de 2016 resultaram na deterioração do mercado de trabalho pelo Brasil. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o número de trabalhadores informais, por conta própria e subocupados por horas trabalhadas atingiram patamares históricos no segundo trimestre de 2021.

No período, os trabalhadores informais somaram 35,6 milhões de pessoas e a taxa de informalidade chegou a 40,6%. No trimestre anterior, a taxa foi de 39,6%, com 34 milhões de informais. Há um ano, esse contingente era de 30,8 milhões de pessoas, com taxa de 36,9%.

Para o cálculo do IBGE, são considerados trabalhadores informais empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; empregados domésticos sem carteira de trabalho assinada; empregadores sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); trabalhadores por conta própria sem registro no CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

O trabalho por conta própria atingiu o patamar recorde de 24,8 milhões de pessoas, com crescimento de 4,2% na comparação com o trimestre anterior. Em um ano, o contingente cresceu 14,7%, somando mais 3,2 milhões de pessoas.

Já o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, que trabalham menos horas do que poderiam trabalhar, também bateu recorde, somando mais 511 mil pessoas e chegando a 7,5 milhões (aumento de 7,3%). Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia no país 5,6 milhões de pessoas subocupadas, o indicador subiu 34,4%.

O número de pessoas que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, chamadas de desalentados, ficou em 5,6 milhões. Com isso, o contingente de pessoas subutilizadas – desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial – chegou a 32,2 milhões, com taxa composta de subutilização de 28,6%.

O rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.515, um recuo de 3,0% frente ao trimestre de janeiro a março de 2021 e redução de 6,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, ficou estável, atingindo R$ 215,5 bilhões.

País ainda tem 14,4 milhões em busca de emprego

A taxa de desocupação recuou para 14,1% no segundo trimestre deste ano, uma redução de 0,6 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e alta de 0,8 p.p. frente ao mesmo período de 2020 (13,3%). Apesar da diminuição, o país ainda soma 14,4 milhões de pessoas em busca de um trabalho.

Esse recuo foi influenciado pelo aumento no número de pessoas ocupadas (87,8 milhões), que avançou 2,5%, com mais 2,1 milhões no período. Com isso, o nível de ocupação subiu 1,2 ponto percentual, para 49,6%. Isso indica, no entanto, que ainda há menos da metade da população em idade para trabalhar ocupada no país.

“O crescimento da ocupação ocorreu em várias formas de trabalho. Até então vínhamos observando aumentos no trabalho por conta própria e no emprego sem carteira assinada, mas pouca movimentação do emprego com carteira. No segundo trimestre, porém, houve um movimento positivo”, avalia a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado avançou 2,1% no segundo trimestre do ano, após quatro trimestres sucessivos de quedas, totalizando 30,2 milhões. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o contingente ficou estável.

Mas a PNAD mostra que a ocupação também avançou no segundo trimestre devido ao aumento de 3,4% no número de empregados no setor privado sem carteira (10,0 milhões) na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, esse contingente subiu 16,0%, ou 1,4 milhão de pessoas. O IBGE estima ainda que 52,2% da alta da ocupação na comparação mensal e 62,7% dessa alta na comparação anual vieram do aumento dos trabalhadores por conta própria, sem CNPJ.

Da Redação

Matéria publicada no site Partido dos Trabalhadores e replicada neste canal.